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Acalmar a ansiedade

É muito frequente ouvir pessoas a dizer: “Estou ansioso por causa disto ou daquilo”; “estou a sentir muita ansiedade”. A ansiedade é um tema que toca a maior parte das pessoas, pois todos nós experienciamos ansiedade em maior ou menor grau em determinados momentos da nossa vida.

O que é a ansiedade?

A ansiedade está relacionada com o futuro, com uma preocupação acerca do futuro que não sabemos como vai acontecer e que talvez não seja como desejado. Essa preocupação – ou melhor dizendo pré-ocupação – acontece porque estamos a ocupar-nos antes do tempo com possíveis resultados que não são bons para nós e com a possibilidade das coisas correrem mal. A ansiedade resulta de uma atividade mental que está sempre a acontecer, consciente ou inconscientemente – através de crenças e das histórias que nos contamos – e que cria impactos fortes no sistema humano, gerando manifestações físicas e estados emocionais incapacitantes.

Exemplo:

  • Estou ansioso porque vou receber os resultados dos exames médicos que fiz e ainda vou ficar a saber que tenho uma doença.
  • Estou ansioso porque se calhar as pessoas vão criticar o que eu tenho para partilhar.
  • Estou ansioso porque o meu chefe vai rejeitar o meu pedido.
  • Estou ansioso porque o meu filho pode cair pelas escadas abaixo.

Exemplo de manifestações físicas:

Dificuldade em respirar, palpitações no coração, dor de cabeça, falta de apetite, tremores, dor de barriga ou diarreia, dificuldade ou incapacidade em relaxar ou dormir, tensão muscular, etc.

E sempre que concebemos uma possibilidade negativa, começamos logo a especular sobre o que faremos se:

  • eu for diagnosticado com uma doença;
  • as pessoas criticarem a minha opinião;
  • o meu chefe disser não;
  • o meu filho cair pelas escadas abaixo;

criando todo o tipo de cenários na nossa cabeça em resposta a isso.

Por vezes, quando a especulação se torna realidade, observamos que tínhamos imaginado aquela situação muito pior do que efetivamente aconteceu. O facto de nos preocuparmos com alguma coisa, em princípio, não tem nenhuma relação direta com o facto dessa coisa acontecer ou não. A coisa não acontece só porque estávamos preocupados com ela.

Exemplo:

Eu posso ficar ansioso com o facto do meu filho poder cair pelas escadas abaixo e ele efetivamente chegar a cair. No entanto, isso não tem relação direta e todas as vezes que eu pensei nisso e não aconteceu, eu estive a alimentar o meu sofrimento.

De onde vem a ansiedade?

Podemos falar em dois tipos de ansiedade.

Um em que conseguimos facilmente identificar o que está a acontecer do ponto de vista mental, isto é, sabemos qual é a razão da nossa ansiedade:

Exemplo:

  • “Estou ansioso por causa da situação X ou da pessoa Y”.
  • “Estou ansioso porque estou quase a ir de férias e não sei se tenho dinheiro suficiente para as férias”.
  • “Estou ansioso porque tenho de acabar um projeto ou um relatório”.

Muitas vezes, a ansiedade está ligada à nossa preocupação com o julgamento dos outros, o que vão achar ou dizer sobre nós, como vão reagir àquilo que dizemos e fazemos. Muitas das histórias que nos contamos são sobre a forma como os outros nos vão avaliar mesmo que grande parte dessas histórias não tenham sequer uma base lógica.

Outro tipo de ansiedade, é quando sentimos ansiedade mas não sabemos qual a razão.

Exemplo:

“Estou ansioso e não sei porquê.”

No que diz respeito a esta ansiedade mais geral, a própria natureza da experiência humana é uma natureza que conduz a estados de ansiedade devido à total falta de controlo. Percebemos que a nossa experiência é, de facto, misteriosa: nós nascemos, não sabemos muito bem qual é o propósito da nossa experiência, o que estamos cá a fazer, sabemos que vamos morrer mas não sabemos como nem quando, sabemos que as pessoas que nós gostamos um dia vão morrer também…

Nos nossos dias, existe também uma ansiedade que vem da ideia do propósito, do legado que queremos deixar. Para muita gente, não saber como deixar a sua marca causa muita ansiedade durante a sua vida.

Há igualmente pessoas que se identificam com este processo de ansiedade levando-o para o nível da identidade afirmando: “eu sou ansioso/a” e utilizando a ansiedade como uma limitação e condicionamento. Sabendo que nós não experienciamos a ansiedade com a mesma intensidade e que estar muito ansioso não é uma experiência agradável, até que ponto, por vezes, ela é utilizada como uma desculpa?

Exemplo:

“Não consigo fazer isso porque sou uma pessoa muito ansiosa.”

Em que situações a preocupação pode ser positiva?

A intensidade da ansiedade depende mais da forma como nos relacionamos com uma determinada preocupação. Há uma grande diferença entre “preocupar e gerar ansiedade” OU “preocupar e tomar decisões que fazem coisas acontecer”.

A preocupação pode ser consciente e eficiente para assegurar o nosso bem-estar e os nossos processos mentais podem ajudar-nos a descobrir coisas que são importantes e a prepararmo-nos para a eventualidade de coisas que nós não queremos que aconteçam.

Exemplos:

  • Se eu for despedido, eu vou precisar fazer contas. Se calhar, podia ter dinheiro de lado para estar mais à vontade no caso de vir a ser despedido. E começo a ver novas formas de gerir o meu dinheiro, de fazer poupanças, etc.
  • Vou fazer uma palestra e penso: “E se as pessoas não gostarem desta parte da palestra? Se calhar, eu posso preparar melhor a palestra, posso pedir ajuda a alguém, posso falar com um colega para perceber como ele reagiria se eu dissesse isto, etc.” E começo de forma consciente a utilizar a preocupação a meu favor para aumentar a probabilidade das coisas correrem como eu gostaria.

No entanto, o que muitas vezes acontece é que não chegamos a fazer nada de prático, ficamos só ligados à uma história que vai crescendo em nós. Começamos a acreditar nos nossos pensamentos.

Exemplo:
Se eu pensar que o meu chefe não gosta de mim é porque ele não deve mesmo gostar de mim.

Se eu pensar que há algo de errado com a minha saúde é porque devo ter mesmo um problema de saúde.

E vamos alimentando esses pensamentos que influenciam o nosso estado emocional que, por sua vez, influencia a forma como vemos e encaramos a realidade.

Exemplo:

Se os meus pensamentos levam a sentir-me deprimido, a realidade torna-se deprimente pelo que vou encarar o que está a acontecer à luz desse estado.

Se pelo contrário, os meus pensamentos levam a sentir-me otimista, a minha realidade tornar-se também ela mais otimista e encaro o que está a acontecer à luz desse otimismo.

O que fazer para acalmar a ansiedade?

“A nossa experiência humana acontece, sempre, no presente.”

Pedro Vieira em “Insight – A semente da mudança
  1. Para evitar uma atividade mental pouco interessante, podes colocar o foco no momento presente, no “aqui e agora”, onde não existe ansiedade. Para tal, podes colocar a atenção na tua respiração (enquanto inspiras e expiras) ou na informação que é captada pelos teus sentidos, observando apenas o que vês, ouves e sentes.
  2. Dedica algum tempo a atividades que te proporcionem prazer e bem-estar (ler um livro, escrever, desenhar, pintar, meditar, praticar exercício físico, ouvir música, etc.).
  3. Pergunta-te: Por cada 100 preocupações que tiveste no passado e que geraram em ti ansiedade (com a saúde, finanças, relacionamentos, família, trabalho, etc.), quantas é que depois aconteceram mesmo? E como aconteceram? E de que forma foram tão danosas para ti quanto o que tinhas imaginado?
  4. Oferece espaço e permissão para a ansiedade existir. Em vez de te quereres livrar dela a todo o custo, reconhece-a e aceita-a, acolhendo-a sem julgamentos e sem alimentá-la. Quando acolhemos a ansiedade, ela começa a desvanecer e a perder a sua força. Pelo contrário, quando nós resistimos a oferecer esse espaço, ela volta com mais força, o que nos leva a ficarmos ansiosos por estarmos ansiosos.
  5. Utiliza a preocupação de uma forma positiva e eficiente pensando algo como: “Que curioso, agora estou a ficar mais ansioso.” E depois questiona-te: “O que estava a pensar que gerou esta ansiedade? O que posso aprender com esta preocupação? Há algo que eu possa fazer?” Se não houver, simplesmente deixa ir a preocupação.
  6. Por trás da ideia da preocupação está a crença de que se nós nos preocuparmos o suficiente, ganhamos controlo sobre uma determinada situação. No entanto, isso não acontece, não conseguimos controlar efetivamente uma situação. E quando percebes que não há nada ou muito pouco para controlar – há apenas algumas coisas que podes influenciar – podes começar a relaxar e assim diminuir a ansiedade.  
  7. Nós humanos, não fomos feitos para a auto-regulação e sim para a co-regulação, por isso, não precisamos lidar com a ansiedade sozinhos. A co-regulação pode acontecer de várias formas. Podes, por exemplo, abraçar durante 20 segundos alguém que não está ansioso. Podes até comunicar isso a outra pessoa para ela te ajudar quando te sentires ansioso: “Quando estou mais ansioso, aquilo que é mais benéfico para mim é dares-me espaço, dares-me um abraço, dar um passeio comigo, etc.”
  8. Coloca a intenção de viver a tua vida com mais leveza. As pessoas que conseguem viver com leveza não lidam com processos mentais paralisantes. E essa leveza pode ser, por exemplo, através da tua capacidade de te rires das coisas que acontecem, de não te levares demasiado a sério, de pensares que daqui a 5, 10, 30 anos isso já não terá relevância nenhuma e poderá tornar-se até cómico que possas estar a viver com intensidade emocional negativa uma coisa que é, na verdade, irrelevante… mesmo que agora pareça ser a coisa mais importante do mundo.

Para encontrares mais formas de lidar com a ansiedade, nada melhor do que seres tu a criar as tuas próprias estratégias através da Neuro Estratégia, uma abordagem criada por Pedro Vieira (www.pedrovieira.net) que te permite beneficiar das técnicas e estratégias de Coaching, PNL, Mindfulness, Hipnose, Modelos Mentais, entre outras.

Falar em público!

Coração acelerado, tremores, corar, gaguejar, transpirar, entrar em pânico, esquecer o que se vai dizer a seguir… estes são alguns dos desafios que podemos experienciar quando falamos em público e que nos levam, muitas vezes, a sentir grande desconforto ou até medo de o fazer.

O que é falar em público?

Falar em público não é necessariamente ir para cima do palco ou dar uma palestra para uma grande audiência. Também pode ser:

  • Fazer uma apresentação numa reunião de trabalho.
  • Ir à escola do filho falar sobre uma questão em particular.
  • Fazer uma pergunta ou partilhar uma opinião durante uma reunião de família, de trabalho, na escola, etc.
  • Falar com um cliente, fornecedor, etc.
  • Conversar com o filho/a, companheiro/a, familiares, amigos, etc.

Poderíamos começar por falar em técnicas, no entanto, do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, o que nos interessa mais é perceber o que está presente para nós quando lidamos com a experiência de falar em público, com a experiência de imaginar-nos a falar em público ou ainda com a experiência de nos prepararmos para falar em público.

Quais são os desafios? Quais são os receios? Quais são os desejos? Quais são os objetivos? De que é que temos medo? O que podemos ganhar em confrontar essas coisas todas?

Por que razão falar em público pode ser tão desconfortável ou difícil?

Ao mesmo tempo que pode ser uma oportunidade para nos sentirmos ouvidos e reconhecidos, falar em público também pode desafiar a nossa autoestima, pois entra em ação:

  • Auto-julgamento e pensamentos de insuficiência;
  • Medo que não gostem de nós;
  • Medo de sermos julgados (“não sabe do que está a falar”; “é estúpido”)
  • Medo da opinião dos outros;
  • Medo de sermos insuficientes;
  • Medo de não nos lembrarmos de tudo o que é para dizer;
  • Medo de errar;
  • Medo de não estarmos suficientemente bem preparados.
  • Etc.

Há quem simplifique o medo em dois grandes medos existenciais:

  • Medo de não ser amado (a forma como os outros pensam e sentem em relação a nós)
  • Medo de não ser suficiente (quando sentimos que alguma coisa está em falta em nós.)

Exemplos:

Fico muito atrapalhado quando exprimo a minha opinião perante os meus colegas porque tenho medo que não gostem de mim, que não me reconheçam, que me rejeitem.

Fico inseguro quando preciso de fazer uma apresentação sobre um tema específico porque tenho medo de errar, de dar-me conta que não estou à altura da tarefa.

Autoestima VS Autoconfiança

Muitas vezes, o treino para falar em público não se foca na autoestima mas sim na autoconfiança, isto é, no facto de ganharmos autoconfiança através do estudo e especialização num tema específico para nos expormos, para darmos a nossa opinião, para entregarmos uma mensagem. No entanto, podemos ter autoconfiança para falar sobre um determinado assunto e não conseguir, com calma e tranquilidade, receber o feedback, as opiniões, os comentários e as perguntas que nos são feitas sem nos defendermos, sem atacar, sem ficarmos irritados, assustados, inseguros, etc.

Por isso é que é tão importante cuidarmos também da nossa autoestima para falar em público. Se tivermos uma autoestima sólida, isto é, se gostarmos de nós independentemente daquilo que fazemos e dos resultados que obtemos, estamos preparados para falar em público, independentemente de como correr.

“Se eu aceder à minha autoestima, eu vou ter coragem de ser vulnerável.”

Mikaela Övén

Por outro lado, se nos focarmos apenas na autoconfiança, corremos o risco de perder autenticidade na nossa forma de passar a mensagem, recorrendo a um conjunto de máscaras e de técnicas encenadas que nos impedem de mostrar quem realmente somos.

Exemplo:

Eu posso subir para cima do palco e usar um tom de voz diferente do que habitualmente uso, com gestos e palavras que não são os que habitualmente uso mas que memorizei e encenei.

Como encontrar a nossa voz?

“Onde quer que estejas, sê a alma desse lugar”

Rumi

Para ser a alma de um lugar, não podemos querer pôr uma máscara que nos impeça de sermos nós próprios, fazendo algo construído e encenado, falando, por exemplo, de uma forma muito diferente daquela que falamos habitualmente, usando um tom de voz ou palavras que nos disseram que deveríamos usar ou imitando fielmente alguém.

Pelo contrário, quando sentimos que estamos a ter a nossa voz, tudo é mais fluido, há uma sensação de maior presença, sentimos que a voz acontece através de nós. E não são só os grandes palestrantes que podem ter esta experiência, é uma experiência que podemos ter a conversar com outra pessoa quando deixamos fluir as coisas através de nós e sentimos que essa é a nossa voz.

Podemos obviamente modelar alguém, fazer como a pessoa faz, aprender técnicas que nos ajudam, no entanto é fundamental encontrarmos também a nossa forma de passar a mensagem, sem ser uma simples reprodução ou imitação de outras pessoas.

As palavras podem não ser muito diferentes, a mensagem pode ser muito semelhante e mesmo assim a forma de passar a mensagem é pessoal e vem de dentro de cada um de nós. Resulta do que aprendemos, das conversas e das experiências que tivemos e que são únicas e pessoais. Essa é a razão pela qual não conseguimos fazer como o outro faz, assim como o outro não consegue fazer como nós fazemos.

Exemplo:

Uma pessoa pode saber muito de parentalidade, de saúde, etc., mas não tem a minha experiência humana, os meus pensamentos, os meus sentimentos relativamente a esse assunto… e vice-versa.

A nossa experiência subjetiva humana é o que torna a nossa experiência absolutamente única fazendo com que a nossa voz não possa ser duplicada. Não são as técnicas ou os truques que nos dão isso (quantos slides uso; onde devo estar no palco; quanto tempo devo falar, etc). As técnicas também são importantes, sobretudo quando queremos chegar a um nível de performance muito alto, mas, para iniciar, esse não deve ser o foco. Se começarmos por aí, é bem provável que corra mal pois podemos nos focar mais no que é artificial e menos no que é a mensagem, naquilo que vem de dentro.

Quando usamos a nossa voz, criamos espaço para os dois medos existenciais anteriormente referidos: o medo de não ser amado e o medo de não ser suficiente. Pelo contrário, quando recorremos a máscaras e a conteúdos de outros, podemos fazê-lo para nos proteger, só que, simultaneamente, estamos a aumentar o poder que esses dois medos têm sobre nós. E essas armaduras que no início apresentam apenas uma camada, começam a ganhar cada vez mais camadas até não conseguirmos perceber qual é de facto a nossa voz e o que é importante para nós.

“Quando eu confronto os medos, oferecendo-lhes espaço, os medos deixam de ter tanto poder sobre mim.”

Alguma dicas para encontrares a tua voz:

1.Usa a mente de principiante quando estás à procura da tua voz, isto é, esquece as outras vozes e fala a partir de ti como se fosse a primeira vez que abordas o tema em questão. Observa o que acontece.

2.Reflete sobre qual é a tua mensagem, sobre o que queres dizer e sobre a diferença que queres ser na tua família, na tua empresa, naquela reunião de trabalho, no mundo, etc.). Aprende a falar sobre o que TU acreditas, a partir de um sítio que é único e pessoal, onde és TU de forma autêntica e vulnerável.

3. Se achas que não consegues encontrar a tua voz, se tens medo ou se alimentas a ilusão que há pessoas que são mesmo boas a fazer isso de forma inata, questiona-te:

  • Como te sentiste quando deste a tua opinião ou fizeste a apresentação?
  • Como isso te faz sentir agora?
  • Que tipo de pensamentos tiveste nessa altura?
  • Como é que te relacionas com isso?
  • O que é realmente importante para ti?

E se quiseres, podes mesmo escrever, em poucas palavras, qual é a tua mensagem.

Estas perguntas permitem conectar-te com a tua experiência subjetiva, com os teus pensamentos e sentimentos, isto é, com a tua voz.

4. E se continuas a achar que não tens uma voz, então fala sobre a experiência de achares que não tens uma voz, de teres dúvidas em relação a qual é o próximo passo, sobre os sentimentos que estás a ter agora (fúria, raiva, amor, compaixão, etc.).

“Quando nós encontramos a nossa voz, ajudamos as outras pessoas a conectarem-se com a sua própria voz.”

Não é tão interessante contarmos a história de outra pessoa, mas sim contarmos, na primeira pessoa, a nossa história, o que nós fizemos, pensámos e sentimos. Isso é o que permite às outras pessoas conectarem-se com a voz delas.

Técnicas para falar em público

Depois de encontrarmos a nossa voz, podemos começar a explorar técnicas e estruturas que nos permitem chegar às pessoas com eficiência, de uma forma que faça mais sentido para os outros, aprendendo a comunicar de forma inspiradora e envolvente. Aqui vão algumas dicas.

  • Devo usar powerpoint? Como usar notas discretamente?

Quando se usa Powerpoint como guião, a luz, a cor e o brilho tendem a atrair o olho humano o que faz com que, muitas vezes, as pessoas da audiência se distraiam e o foco vá para o powerpoint e não para o orador – quebrando a ligação com o orador.

Se queres realmente usar um guião, fá-lo de uma forma explícita (usando um caderno ou folha). Não há problema em usares notas a não ser que tu acreditas que seja um problema pois o problema só existe na cabeça do orador. Pelo contrário, se tentares recorrer às tuas notas de forma dissimulada, isso pode ficar esquisito, principalmente quando as pessoas reparam. Se aceitares que as notas são uma ajuda, sentir-te-ás mais tranquilo. Podes até falar abertamente sobre isso dizendo algo como: “Tenho aqui umas notas que tirei e que gostava de vos passar nos próximos 30 minutos.”

  • Como manter o público interessado?

Não podes controlar o contexto em que estás e a reação da audiência. No entanto, podes escolher entrar no lugar do público, isto é, imaginar que estás sentado na audiência ou no lugar do teu interlocutor. É algo que podes fazer antes da conversa ou apresentação e também durante a própria conversa ou apresentação através das perguntas: “Se eu estivesse a assistir, o que eu gostava que acontecesse?”; “Se eu estivesse sentado no lugar da audiência ou no lugar deste colega para quem estou a falar, o que eu estaria a sentir?” Quando usamos essa técnica chamada “posição percetual”, podemos descobrir que estamos a utilizar meios que não são muito eficientes.

Exemplo:

Estou a utilizar uma apresentação powerpoint com imensos slides e muita informação. E quando me imagino a entrar no lugar do público e a olhar para esta apresentação, eu posso achar que está a ser uma seca; que eu não consigo reter 10% da informação que está a ser apresentada; que preferia ter menos informação, ouvir algumas histórias, ter algum humor pelo meio, etc. No fundo, nós sabemos o que mantém o público interessado pois nós sabemos o que nos mantém a nós interessados.

  • Como não tremer quando falo em público?

Nós não trememos de forma consciente, é um processo totalmente inconsciente. E como qualquer processo inconsciente, depois do processo estar a acontecer é muito difícil controlá-lo ou alterá-lo. Por isso, em vez de evitar tremer ou parar a tremedeira, podes atribuir um significado positivo à tremedeira. Em vez de pensar “se estou a tremer é porque estou nervoso e se estou nervoso, isto não vai correr bem”, podes dizer algo como: “eu estou a preparar-me, daí esta vibração”; “esta vibração significa que eu já estou preparado, que vou fazer uma apresentação com paixão, que tenho energia à minha disposição”. O facto de dizeres que estás a vibrar é em si mais possibilitador e permite-te ter mais recursos à tua disposição.

  • O que fazer para não corar?

Tal como no exemplo anterior, nós não coramos conscientemente, é um processo inconsciente. Por isso, em vez de evitar corar, podes escolher ficar tranquilo com o facto de corar e, se isso acontecer, podes dar um significado positivo: “quer dizer que o meu inconsciente está envolvido com este momento, que ele reagiu a esse momento.” E lembra-te que o facto de corar só se torna um problema se isso se tornar um problema para ti. Se tu ficares vermelho e mesmo assim continuares com a apresentação ou incluir isso com naturalidade no teu discurso dizendo algo como: “essa pergunta foi tão poderosa que eu até fiquei corado”, isso não se transforma num problema para a audiência.

Nota:

O grupo tende a atribuir às coisas o significado que o orador está a atribuir.

Exemplo:

Se durante a minha apresentação tocar um alarme, se o projetor que estou a utilizar deixar de funcionar; se a luz for abaixo; se eu tropeçar; se eu gaguejar, se eu me esquecer do que ia dizer a seguir, se eu escolher continuar a fazer a apresentação, as pessoas rapidamente vão esquecer que aquele momento aconteceu. No entanto, se eu me mostrar perturbado, se ficar distraído, as pessoas vão atrás da minha preocupação. O grupo só reage se o orador reagir, as coisas só se tornam relevantes se nós lhe dermos relevância.

Podes até brincar com isso: “Estou tão entusiasmado que me esqueci do que ia dizer a seguir”.

  • Como ficar desinibido?

Se não estamos desinibidos ou à vontade é porque estamos provavelmente tensos e quando transportamos essa tensão para cima do palco ou para uma conversa, ela impede que a nossa mensagem seja fluida ou chegue ao outro de uma forma relaxada e tranquila.

É natural sentirmos tensão e inibição quando estamos à frente de um grupo pois estamos a lidar com os dois medos existenciais. Que significado damos a isso?

Se eu pensar algo como: “estou inibido, eu não vou conseguir fazer um bom trabalho, eu não vou conseguir explicar, eu vou ficar atrapalhado, isto não vai correr nada bem”, atrás da inibição vem mais inibição, atrás da tensão vem mais tensão.

Se, pelo contrário, eu der um significado positivo: “Significa talvez que não estou muito à vontade porque não estou muito preparado mas quando começar a falar de certeza que vai melhorar”; “é natural eu estar inibido e aquilo que vou dizer é suficientemente importante mesmo se estou inibido”, terei a oportunidade de relaxar um pouco.

O relaxamento não precisa ser um objetivo “eu tenho de estar relaxado!” pois isso causaria ainda mais tensão. Trata-se simplesmente de aceitar a tensão, a inibição, o facto de não estar muito à vontade. Isto é um paradoxo porque quando eu aceito que não estou muito à vontade, eu fico mais à vontade. Quando aceito que estou inibido, eu começo a ficar mais desinibido. E posso verbalizar isso aos outros dizendo algo como: “Eu não estou muito à vontade a falar e hoje quero falar-vos sobre um tema que é importante para mim”. Essa afirmação feita com mais naturalidade cria espaço para me sentir mais à vontade e desinibido.

  • Uma técnica que vale ouro:

Para acederes a recursos que são importantes para ti num determinado momento, experimenta o seguinte: “Respira como respirarias se”…

  • fosses o melhor palestrante do mundo;
  • tivesses muito à vontade;
  • te sentisses muito tranquilo;
  • estivesses muito confiante;
  • toda a gente te adorasse;
  • esta fosse a melhor palestra que estivesses prestes a fazer”.

E depois respira dessa forma deixando que o teu corpo se adapte à tua respiração. A respiração é um poderoso ativador de estados emocionais. E quando colocamos a atenção na nossa respiração, naturalmente acontecem algumas alterações – a respiração torna-se mais lenta, mais pausada, mais profunda, etc. – que nos ajudam a mudar a nossa predisposição física.

Por fim, lembra-te que o treino e a repetição são fundamentais, são a chave para ficares mais à vontade para falar em público. Não podes treinar só 2 ou 3 vezes e querer fazer como se tivesses falado em público umas 100 vezes, pois não? Treina em qualquer sítio, em qualquer situação porque, já sabes, estás sempre a falar em público 😉

E se este é um tema importante para ti e queres aprender uma série de truques e técnicas que te ajudam a aceder a estados emocionais possibilitadores para aumentares a qualidade da tua comunicação, junta-te a nós em Neuro Estratégia. Esta é uma abordagem criada por Pedro Vieira (www.pedrovieira.net) que te permite beneficiar das técnicas e estratégias de Coaching, PNL, Mindfulness, Hipnose, Modelos Mentais, entre outras, para criares as tuas próprias estratégias e assim desenvolveres a arte de falar em público.

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Método LASEr

Método criado e desenvolvido pelo Pedro Vieira, Neuro Estratega, Coach & Master Trainer da LIFE Training

Podes ler o que o Pedro tem a dizer sobre o “método das cores” como é tantas vezes mencionado por quem o aprende e descobre.

Pedro, como nasceu este método?
Bem, eu tinha estudado vários modelos de análise de comportamento e de estilos de comunicação e estava muito interessado em ter um à minha disposição que cumprisse vários preceitos: simples e intuitivo ao ponto de poder ser ensinado a crianças ou através de jogos pedagógicas, que pudesse ser aprofundado e servisse de linha orientadora para processos de desenvolvimento pessoal e, finalmente, que criasse possibilidades de expansão em lugar de fechar em rótulos.

O método foi sempre assim ou teve desenvolvimentos?
A partir do momento em que, em 2009, me decidi pelos metaprogramas de base do método (ver apresentação), fui cruzando com outros conteúdos de desenvolvimento pessoal e restando várias representações gráficas. Ao fim de 3 anos já tínhamos algo muito parecido com a método atual.

Quais as vantagens de usar um método como este?
Preservando a nossa individualidade e características únicas, podemos colocar padrões de desenvolvimento pessoal ao nosso dispor. Este método pressupõe a existência de quatro energias (ou estratégias comportamentais) ao nosso dispor e que, com um correto desenvolvimento, nos permitem viver uma vida mais saudável e preenchida.

Como se estuda o método?
Entender o Modelo que serve de base ao método é simples e rápido, basta navegar por este site e explorar as apresentações. Agora, a parte mais interessante é a efetiva vivência do Método. Daí se ter tornado tão relevante a experiência de aprender o Método em eventos ao vivo, liderados por mim ou por Trainers oficiais de Método. Criamos uma forma de ensino que é desenhada para permitir absorver o método a vários níveis e que, entre coisas, é muito dinâmica e divertida.

Depois de tantos anos, já sabes tudo sobre o método?
De forma alguma! Este método é tão flexível que é aplicável a qualquer contexto, pelo que estamos sempre a aprender conforme vamos criando novas aplicações. Para apresentar o LASEr em vários países e em indústrias tão diversas, fui aprendendo sobre estas 4 energias em termos psicológicos, sociais, culturais e terapêuticos. A vida vai-me constantemente mostrando mais e mais formas de entender e aplicar o LASEr. “

Sabe mais em http://metodolaser.com/

Coaching Desportivo ou Coaching no Desporto?

Parece uma mera questão semântica e… talvez contenha, em si, um detalhe fundamental na forma como acredito que o Coaching se possa tornar numa abordagem incrível a potenciar resultados no Desporto.

O Coaching é (na minha definição favorita e com que introduzo o tema tanto em cursos de iniciação como em formações avançadas) a arte de explorar caminhos do local onde estamos para o local onde queremos estar. Uma definição bem lata e a partir da qual conseguimos começar a entender o propósito e o alcance das técnicas e estratégias próprias desta atividade.

Quando aplicamos Coaching a uma área específica estamos a fazer o convite a uma pessoa ou a uma equipa de focar a sua atenção em três questões muito importantes (e todas contidas na definição inicial apresentada acima):

a) Onde estou?

b) Onde quero estar?

c) Como posso chegar lá?

Estas três questões configuram aquilo a que gosto de chamar de Modelo de Coaching 1.0, a base de todas as intervenções. Repara que este Modelo é perfeitamente independente do contexto: farei estas mesmas questões a um treinador de elite ou a um atleta de formação, tal como as farei a uma cirurgiã em início de carreira, a um pai a tempo inteiro, um grupo de investigadores académicos ou um experiente investidor em criptomoedas. É partir daqui que, usando os seus recursos, o Coach observa as respostas obtidas e vai desenhando processos para facilitar ao seu cliente a chegada aos objetivos desejados, descobrindo pelo caminho muitas coisas interessantes sobre si, sobre os outros e sobre a vida.

Quando aplicamos estas noções ao Desporto, estamos a usar Coaching no Desporto, tal como poderíamos falar de Coaching em Vendas, de Coaching em Relacionamentos ou de Coaching na Nutrição. No desenvolvimento destas aplicações, podemos acabar a identificar um conjunto de ferramentas que tendem a funcionar particularmente bem no Desporto, claro. Só que as ferramentas não serão nunca exclusivamente desportivas e sim aplicações no Desporto!

Um nutricionista pode especializar-se em Nutrição no Desporto, por exemplo. Utilizará as bases que conhece da Nutrição para, em função das necessidades específicas do desportista, o ajudar a alcançar os seus objetivos. O mesmo acontece com um Coach!

A ideia de que existem ferramentas exclusivas do Desporto ajuda a propagar mitos como “só quem está no Desporto sabe” e “no Desporto é diferente” que aparecem depois até de forma mais estrita como “no Futebol é diferente”, “nas modalidades individuais isso não funciona”, etc. Isto não será diferente, claro, daquilo que ouço em outras áreas de atividades: “na Banca não funciona assim”, “em pequenas empresas isso não é assim”, “em Portugal é diferente”, etc.

São todos exemplos da mesma estrutura mental: aquilo que faço é tão específico que tem ferramentas próprias. Isto pode ser válido para questões técnicas, obviamente, mas não faz sentido para as questões abordadas no Coaching: percepções, crenças, valores, mapas mentais, emoções, sentimentos, hábitos, processos de tomada de decisão, etc. Tudo facetas do comportamento humano (inconsciente e consciente, visível e invisível) e este, embora aconteça em adequação ao meio, está para além do meio em si.

Tudo isto para dizer que não existe um Coaching (exclusivamente) Desportivo, o que existe é um conjunto de aplicações do Coaching no Desporto. A sua aprendizagem é propiciada por histórias, exercícios e dinâmicas do Desporto, claro!

É precisamente por isso, aliás, que eu e o Pedro Seabra (talvez o coach português com mais experiência a trabalhar com futebolistas) ensinamos o Curso de Coaching no Desporto!

Pedro Vieira – Coach de treinadores e atletas de elite

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